Preâmbulo.
Acho que não é adequado falarmos de evolução sem entendermos os seus princípios e as suas raízes mais profundas.
É igualmente difícil falar de evolução sem falarmos de inteligência uma vez que ambas andam de braços dados, especialmente no que diz respeito à evolução humana, que será o tema central desta discussão.
Muito embora vá apresentar algumas teorias que ainda são controversas, as mesmas serão mencionadas como tal e irei apresentar a minha visão de porque entendo que certas teorias me parecem mais adequadas e realistas do que outras.
Os primeiros Homos.
A antropologia apresenta a teoria aceite de que os primeiros ancestrais do que hoje somos, apareceram à cerca de 2.6 milhões de anos no continente africano durante o período Paleolítico uma das 3 eras incluídas no que chamamos de idade da pedra. O Homo habillis é o mais antigo parente que conhecemos.
Ao longo destes milhões de anos de evolução muitas outras espécies de Homo habitaram o nosso planeta.
A evolução da mente.
Uma das teorias mais aceites para a evolução da inteligência do homem é a relação entre o volume do cérebro, a massa corporal bem como a dimensão do lobo frontal do cérebro.
Ao longo da história as várias espécies de uma forma geral foram aumentando o tamanho total do cérebro e desta forma a sua inteligência.
Pensa-se que um cérebro maior é mais eficaz. Claro que se fosse somente assim a baleia seria o animal mais inteligente do mundo mas existem outros factores como a morfologia (forma) do cérebro nomeadamente no Lobo Central, bem como na existência de dois hemisférios.
Como podemos ver na tabela anterior o Homo Sapiens Sapiens o que quer dizer, nós, a nossa espécie possui o maior volume cerebral de todas as espécies Homo, contando com 1850 cm3 de volume cerebral. Mas nem sempre foi assim, a nossa espécie aparece com um cérebro de apenas 1000 cm3 que posteriormente evolve até aos dias de hoje, não se transformando só no maior cérebro mas também o que mais rápido evoluiu desde o aparecimento da espécie entre todas as outras espécies.
Talvez por isso mesmo tenhamos sido a espécie que predominou no nosso planeta, com uma capacidade cerebral maior conseguimos nos adaptar melhor.
Mas não foi somente o crescimento do nosso cérebro que nos permitiu vencer esta batalha pela sobrevivência da nossa espécie. Uma das melhores alterações foi o avanço da nossa testa para a frente. Com uma testa maior podemos desenvolver e fazer crescer outras áreas do cérebro que são cruciais para a nossa inteligência cognitiva. Como podemos ver na imagem abaixo:

Veja que as áreas que controlam as características que destingem a raça humana dos outros animais, encontram-se na sua maioria na parte da frente do cérebro humano.
De cima para baixo podemos observar as posições geográficas do Cíngulo Anterior responsável pela motivação, o Lobo Frontal responsável pelo planejamento, o Dorsolateral Préfrontal responsável pela lógica e execução e por último o Orbifrontal Lateral responsável pelas emoções de alto nível, mais complexas que requerem uma inteligência com grande capacidade cognitiva.
Se observarmos a morfologia craniana das diferentes espécies de Homos e sua árvore evolucional, conseguimos ver claramente que a parte do crânio que alberga toda a parte frontal do cérebro vai, com o tempo, aumentando de forma gradual. Como podemos ver pela imagem abaixo.
Podemos ver que o Homo que mais se assemelha com a morfologia craniana da nossa espécie é de fato o Homo Neandertaliensis a as curiosidades entre ambos continuam pela estrada da evolução.Veja na imagem ao lado como a morfologia craniana de todas as outras espécies possui um osso frontal (o osso da testa) mais diagonal e como o frontal do Homo Sapiens é mais vertical aumentando assim a possibilidade de uma área frontal cerebral maior.
Como vimos na primeira imagem (a das diferentes áreas cerebrais) todas as características mais evoluídas de nosso cérebro são controladas por áreas cerebrais posicionadas geograficamente nessa mesma área do cérebro, a área frontal.
Não é infelizmente raro na medicina vermos casos de pessoas que sofreram acidentes e que acabaram ficando em estado vegetativo. Em muitos casos isso acontece porque o Dorsolateral préfrontal foi severamente atingido e cessou muitas das suas funções básicas, como a capacidade de tomar decisões. Por vezes a seriedade da lesão é tão grande que a pessoa fica paralisada (em estado vegetativo) porque não consegue sequer tomar a decisão de mexer um dedo, abrir a boca ou qualquer outra decisão básica que temos como simples e garantida na vida desde o momento em que nascemos, perdendo assim até a capacidade de decisões que são instintivas.
O início da evolução tecnológica.
Há cerca de 40.000 anos atrás depois de uma evolução de 160.000 anos do Homo Sapiens, nós, aconteceu algo extraordinário e que ainda não possui explicação certa. Começou então a verdadeira evolução tecnológica da raça humana.
Veja na imagem abaixo o gráfico temporal da evolução do homem, desde os primeiros Australopitecus até aos dias de hoje.
O gráfico ao lado é uma representação visual de como a partir de uma dada altura na nossa evolução física e mental o Homem evoluiu de forma vertiginosa.Observe que foram necessários 1.5 milhões de anos de evolução somente para dominarmos o conhecimento do fogo. Mais ainda foram necessários mais de 880.000 anos para consegirmos dar um pequeno salto evolucional passando assim do período do Paleolítico inferior para o Paleolítico Médio.

Ao lado vemos uma foto do ENIAC (Electronic Numerical Integrator And Computer) ou Integrador Numérico Eletronico e Computador.
Há cerca de 40.000 anos atrás, o Homem executou os primeiros ritos funerários que se conhecem. Esta ação é tida por vários antropólogos como a primeira forma de arte conhecida o que requer um nível de inteligência cognitiva e criatividade que somente um cérebro mais evoluído conseguiria atingir.
Se medirmos na escala apresentada 40.000 anos atrás até aos dias de hoje, veremos que esse acontecimento tem início na segunda metade do Paleolítico Médio o que comparado com a evolução do Homem representa um pequeno fragmento do seu período evolucional.
Devemos ver também que demoramos 1.5 milhões de anos de evolução para controlar o fogo e desse dia até aos dias de hoje passaram-se 1 milhão de anos.
Desenvolvemos a agricultura e iniciamos a manufatura de potes de barro à somente 10.000 anos atrás, no fim da pré-história. Foram necesários 1.88 milhões de anos de evolução até sermos capazes de fazer o que hoje é um siples vaso de cerâmica.
Isto quer dizer que desde o desenvolvimento da criatividade, arte e inteligência cognitiva superior passaram-se 30.000 anos até usarmos os frutos da agricultura, cerâmica e melhores ferramentas.
Arte, religião e imaginação.
A maioria dos estudiosos considera que a primeira forma de arte conhecida tem início com os primeiros funerais realizados pelo Homem à 40.000 anos atrás, uma vez que é necessário um grau de imaginação muito grande para conceber um ou mais deuses, uma vida para além da morte e todo um ritual demonstrativo de uma existência metafísica superior.
Na minha humilde opinião a religião, mesmo na altura, requeria símbolos e símbolos são na realidade a primeira forma de arte, uma vez que um símbolo independentemente do que represente é sempre uma forma de arte.
Estes foram encontrados e datados da mesma altura em que os primeiros rituais de enterro foram efetuados.
Isto porque arte e religião necessitam do mesmo tipo de capacidade imaginativa que permita interpretar e explicar (de certa forma) algo que não existe, não está presente ou até que nunca foi visto.
Isto é, um símbolo desenhado que não represente algo natural tem que ser imaginado, assim como um deus ou como a vida após a morte, uma vez que não existem provas físicas de ambas as coisas.
O mais interessante é que foi também a cerca de 40.000 anos que o cérebro humano se começou a se apresentar com a morfologia que tem hoje. Desde essa data até agora o cérebro humano não mudou muito, esse foi o grande acontecimento que nos permitiu desde então evoluirmos exponencialmente as nossas capacidades intelectuais e inerentemente a nossa inteligência cognitiva.
Exponeciabilidade do conhecimento.
Passaram-se mais 30.000 anos até que a evolução social e tenológica da Humanidade nos permitisse sair da idade da pedra, foi então que se deu início a descobertas dos metais, como e quais metais fundir, como o bronze. Talvez tenha sido aqui que a verdadeira ciência tecnológica teve o seu início, descobrir como fundir e manipular metais não era para a altura algo simples, como fundir, onde os encontrar, como os separar dos outros elementos, a que temperatura fundi-los e ainda como os moldar e quais suas aplicações.
A partir dessa data, a manipulação e transformação dos elementos da natureza ao nosso dispor foi do ponto de vista evolucional, demasiadamente rápido.
Em apenas 4.000 anos, no ano 6000 AC, a Humanidade evoluiu de forma vertiginosa.
Depois do fim da Idade da Pedra a Humanidade em cerca de 4.000 anos construiu a sua primeira civilização, os Sumérios. Para que algo deste tipo aconteça, é necessário uma grande inteligência cognitiva, uma vez que a criação de um civilização inteira é bastante complexa.
Em cerca de 4.000 anos passamos de um conceito de aglomerados habitacionais familiares para uma civilização inteira, isto requer conceitos complicados como, comércio, produção, estrutura governativa, construção, etc. Isto tudo em apenas 4.000 anos.
Veja a complexidade artística deste vaso Sumério datado de 6.000 anos AC.
As curvas o desenho e as pinturas neste vaso apresentam mostram que já à 6.000 anos AC o Homem possuía um elevado e requintado sentido de estilo e beleza, para além da qualidade de construção em cerâmica.
Mas o aspeto mais importante é a capacidade que o Homem desenvolveu de criar novas ferramentas e utensílios de forma a melhor interagir com o seu ambiente.
Vasos como este serviriam para armazenar alimentos, água ou ainda como mera decoração o que por si é um conceito complexo.
É a partir desta época que o Homem começa a apresentar externamente através das suas obras um grau de inteligência cognitiva muito igual ao que hoje possuímos.
Como se isso não fosse o bastante outras civilizações começam a aparecer, mesmo que de uma forma embrionária ainda.
Por volta de 2.500 anos AC já os egípcios construiam as grandes pirâmides, depois mais tarde apareceram os impérios Grego e Romano entre muitos outros grandes e complexos impérios que existiram entre 2.500 anos AC e o ano zero.
Durante este período desde o ano 4.000 AC o Homem realizou inúmeras descobertas nas mais diversas áreas da ciência como, engenharia, química, filosofia, negócios, medicina, estratégia, etc.
Grandes obras de engenharia foram erguidas por várias civilizações, algumas ainda podemos ver o que delas sobrou.
Por volta do ano 1000 os Vikings chegavam onde hoje é o Canadá, navegando pelo Atlântico Norte saltando de terra em terra, da Escândinavia até às Ilhas Faraó, depois de lá para a Islândia, depois para a Gronelândia e finalmente o Canadá.
Menos de 500 anos depois já Portugueses e Espanhóis navegavam os oceanos deste planeta em busca de rotas marítimas comercialmente interessantes, descobrindo e unindo um mundo que agora mais rapidamente comunicava através dos mares. Colonizamos novas terras que em poucos anos se tornavam importantes partes produtivas e cujos frutos eram depois levados para suprir as necessidades das grandes metrópoles ao redor do mundo. Esta foi a época em que realizamos e conhecemos o mundo em que viviamos, unindo povos, culturas, bens e serviços.
Mais 300 anos de evolução se passam e entramos na Revolução Industrial, as primeiras máquinas de transformação em massa alimentadas por motores a vapor.

O motor de explosão movida a combustíveis fósseis que ainda hoje usamos, a electricidade, a penicilina e os antibióticos, o carro, o avião e por fim a lua. Tudo isto aconteceu em cerca de 200 anos de história do Homem.
Criando inteligência.
A nossa civilização se desenvolveu tanto que nós iniciamos o caminho para não somente usarmos a nossa própria inteligência a nosso favor, mas para criarmos um novo tipo de inteligência que fosse capaz de executar tarefas num espaço de tempo que seria para qualquer Humano completamente impossível.
Como criadores de máquinas, criamos uma máquina que resolvesse esse problema. Uma forma de inteligência que consegue fazer cálculos a uma velocidade tão grande que em tempo resolveria matematicamente todos os problemas da humanidade, o computador.
Ao lado vemos uma foto do ENIAC (Electronic Numerical Integrator And Computer) ou Integrador Numérico Eletronico e Computador.O ENIAC for desenvolvido para efetuar cálculos de balística para o Exército Americano e ficou pronto em 1946.
Desde então os benefícios trazidos à sociedade por este tipo de máquinas foram-se somando e crescendo de uma forma sem precedentes.
Com uma capacidade de cálculo surpreendente os computadores não param de evoluir.
No fim da década de 60 a IBM constriu um computador chamado IBM 1401. O velho IBM 1401 ocupava uma sala inteira, fazia 4000 operações matemáticas por segundo, pesava 40 toneladas e custava cerca de 1.5 milhões de dólares.
Hoje cerca de 40 anos depois, olhamos para os nossos celulares que cabem no bolso, possuem um processador do tamanho de uma unha, custam 70 dólares e são 300.000 vezes mais rápidos que o velho IBM 1401. Tudo isto em pouco mais de 30 anos.
Estamos no limiar da criação de uma verdadeira inteligência artificial, muitas barreiras já foram quebradas nessa área. No MIT uma aquipe de cientistas desenvolveu recentemente um programa de computador que emula a forma como o nosso cérebro guarda e analisa imagens.
O reconhecimento de padrões era a última barreira na qual os computadores ainda não tinham superado a inteligência do Homem, com exceção da criatividade.
A equipe do MIT teve resultados incriveis que nem os próprios integrantes do projeto poderiam expera. O diretor do projecto diz que o computador superou em muito as melhores e mais otimistas expectivas.
Com cada vez mais poder computacional que dobra a cada 18 meses as possibilidades de novas descobertas entram numa escalada exponêncial.
Quando no início dos anos 90 o projecto Genoma Humano começou, não havia tecnologia suficiente para mapear todo o código genético humano, mas os cientistas responsáveis pelo projeto acreditaram que se ouvesse vontade suficiente que a tecnologia apareceria.
Os responsáveis pelo projeto tinham um período de 15 anos para terminar-lo, ao fim de 8 anos tinham menos de 10% do genoma mapeado, mas a tecnologia veio, e nos 18 meses seguintes foram mapeados os outros 90% que restavam. Em 10 anos nós desvendamos toda a molécula da vida de que somos feitos e isto foi em 2000.
Verdadeira inteligência artificial.
À cerca de 10 anos alguns ciêntistas começaram a colocar em causa o porquê de não conseguiamos criar inteligência artificial e apontaram para a importância que as emoções têm na nossa própria inteligência.
Em grande parte pelo desconhecimento da forma como nosso cérebro funciona e pela forma como os ciêntistas se vêem a eles próprios, como seres racionais desprovidos de emoções, esta teoria na altura não ganhou muito adeptos.
Com a evolução dos estudos sobre o funcionamento do nosso cérebro descobrimos que sem emoções não conseguimos efetuar muitos tipos de decisões, são as nossas emoções que disparam a vontade, necessidade, e desejo de executar tarefas de todos os tipos, assim sendo os ciêntistas acabaram por entender que não existirá verdadeira inteligência artificial enquanto não conseguirmos emular emoções numa máquina.
À medida que entendemos o funcionamento do nosso cérebro com ajuda do poder computacional, estamos começando a emular o funcionamento do mesmo em computadores especialmente desenhados para isso, como o do projeto do MIT (falado no ponto anterior) agregando a isso um poder de cálculo e computacional muitas vezes súperior ao nosso próprio.
Os estudos que têm por base a necessidade de emoções para um melhor sucesso e desempenho partem de um princípio bastante interessante e ainda controverso o Quantitativo de Inteligência verso o Quantitativo de Inteligência Emocional.
Na realidade o valor do QI testa apenas o nosso raciocínio cognitivo lógico e não o emocional, sendo que ambos não estão somente interligados mas são igualmente importantes.
Vejamos o seguinte problema, temos um indivíduo que não é um gênio possuindo um QI acima da média mas que possui um baixo grau de QIE. Por outro lado temos um indivíduo que possui um QI abaixo da média mas um elevado grau de QIE. Quem terá mais sucesso na vida na sua opinião?
Testes mostram que o segundo tem melhores chances de ter sucesso na vida. Porque o QIE elevado faz com que essa pessoa se relacione melhor com o ambiente em que vive, é mais afável, comunicador e mesmo não possuindo um elevado QI os seus contactos e visão alegre da vida farão com que se consiga inserir melhor na sociendade. Já o primeiro se fechará mais no seu próprio mundo, não gostará da presença de estranhos à sua volta e ficará num mundo mais isolado, perdendo assim a necessária iteração social que é também ela um dos fatores determinantes para a evolução da nossa espécie.
Mesmo no nosso dia-a-dia quantas vezes vemos pessoas extremamente inteligentes que têm uma vida simples e normal e que comparados com pessoas de sucesso que mal conseguem distiguir um elicópeto de um avião, o seu sucesso é tão diminuto. O problema reside no QIE que na realidade também calcula o QI mas culcula o QI através da relação funcional entre a nossa parte lógica e a emocional, é esta interação entre as duas que nos fornece mais ou menos habilidade e capacidades cognitivas.
Conclusão.
A partir de um dado momento na história a evolução da inteligência Humana foi vertiginosa. Isto porque estavamos dependentes de uma evolução biológica que é lenta, mas podemos observar que a natureza estava tentando fazer o seu papel de criar vida inteligente, através das várias tentativas de raças que criou.
Inevitávelmente a raça mais adaptada e inteligente acabou por perdurar e como seria de se esperar de uma raça de inteligência superior, tomou conta do planeta e do seu próprio destino.
Vemos também que á medida em que o nosso conhecimento cresce e é passado de geração para geração a nossa capacidade de criar e descobrir novas coisas aumenta exponencialmente.
O crescimento tecnológico que tivemos durante o século 20 é maior do que aquele que fizemos durante todo o nosso periodo evolucional.
Isto quer dizer que do ponto de vista tecnológico, nós em 100 anos fizemos mais que em 200.000 anos (desde o aparecimento do Homo Sapiens) de evolução.
A questão é, o que faremos e quanto vamos evoluir neste século 21 onde o potencial de evolução é muitas vezes maior que no século passado (século 20)?
Nós estamos começando a ser mestres da ciência em todas as áreas, até replicando o funcionamento do nosso próprio cérebro de forma a criarmos inteligência pelas proprias mãos.
Vamos começar a brincar ao dia da criação?
Este assunto fica para próximos artigos.
Joao




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